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Como as relações sociais influenciam a saúde das pessoas

Comer comidas saudáveis, praticar esportes e não usar drogas são hábitos frequentemente associados a uma saúde melhor. Cada vez mais pesquisas têm, no entanto, destacado o papel positivo dos bons relacionamentos sobre a saúde, além dos problemas associados a uma vida solitária.
Um artigo intitulado “Mecanismos interpessoais que ligam relacionamentos próximos à saúde” dá um panorama sobre algumas das principais formas como a — nem sempre positiva — influência dos relacionamentos sobre a saúde ocorre. O trabalho se baseia em três linhas teóricas. A linha evolutiva e a “teoria do apego”, ou “teoria da vinculação”, partem do princípio de que seres humanos têm uma necessidade básica de se ligarem socialmente a outras pessoas. A desconexão é dolorosa porque contraria essa necessidade fundamental. Em adição a esse ponto, a teoria do apego afirma que o histórico de interações com as pessoas mais próximas permite regular emoções e comportamento, solicitar apoio social e se beneficiar de oportunidades de crescimento e reconhecimento pessoal. Uma terceira linha, da chamada “teoria da interdependência”, foca na forma como parceiros influenciam uns aos outros mutuamente e exercem um papel sobre suas trajetórias de vida. Entre outros pontos, isso afeta a forma como se alimentam, se exercitam, trabalham  e os objetivos que buscam.

Portrait Of Young Woman Embracing Her Boyfriend From Behind

O apoio social em meio ao estresse

Segundo o trabalho, uma série de pesquisas aponta que relações sociais contribuem para diminuir o sofrimento em meio ao estresse. A presença de alguém próximo atenua a aceleração dos batimentos cardíacos e o aumento da pressão sanguínea, que geralmente ocorre em situações difíceis.
Outros testes apontaram que o apoio verbal de um parceiro romântico nesse tipo de situação correspondeu a uma produção menor de cortisol, um hormônio associado ao estresse. Além disso, pessoas com apoio social têm cotidianamente taxas mais baixas deste hormônio, e são menos suscetíveis a infecções e doenças no geral.

Outros estudos apontam que pessoas que acreditam serem aceitas e compreendidas apresentaram uma tolerância maior a dor. Elas também tiveram uma visão mais otimista sobre desafios práticos, e tenderam a avaliar caminhos até certos destinos como mais curtos e menos íngremes.
Segundo o trabalho, isso sugere que “a presença de um parceiro que dá apoio pode agir como um sinal de segurança, reduzindo as percepções de ameaça”. Fora de controle, essas percepções de ameaça poderiam, por sua vez, ter efeitos negativos sobre a saúde.

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Close-up of business executives with hand stacked in office

A busca por possibilidades e metas de vida

Pesquisas mais recentes têm enfatizado também os benefícios à saúde trazidos durante momentos que não são de estresse. O parceiro romântico que apoia metas e aspirações de seu par contribui para uma autoestima e uma percepção maiores de controle que este tem sobre a própria vida.
Isso também tende a levar a um progresso maior em direção às metas almejadas. Há indícios de que esse progresso leva, por sua vez, a melhoras físicas palpáveis, na qualidade do sono, por exemplo, além de um bem estar psicológico maior.
Além disso, quando o parceiro romântico responde ao sucesso de seu par de forma positiva, mostrando orgulho e entusiasmo, o efeito benéfico sobre o humor deste é ampliado, e a relação se fortalece como um todo. Isso aumenta a percepção de que há apoio disponível em caso de dificuldades, algo associado a uma saúde melhor e a taxas menores de mortalidade.

Intimidade, afeto e amor

O sentimento de intimidade com outros seres humanos está associado a uma saúde melhor. Ele pode surgir em qualquer tipo de interação em que a pessoa se sente compreendida, aceita e cuidada, seja na família, com amigos, colegas de trabalho sensíveis ou parceiros amorosos.
A validação promovida impulsiona sentimentos positivos, de pertencimento e confiança, que levam ao bem-estar emocional e físico. O sentimento de conexão social com outras pessoas pode ajudar indivíduos a regularem suas emoções em meio a adversidades, algo que pode ser importante “no contexto de doenças, quando os sintomas e tratamentos podem danificar a autoimagem e a autoestima”, diz o trabalho.
Esse sentimento de conexão social pode atenuar estados negativos de humor e servir de apoio a práticas mais saudáveis, como comer melhor ou se exercitar.
Há trabalhos que apontam que, quando pessoas se sentem mais aceitas e compreendidas em suas interações sociais, elas afirmam sofrer menos sintomas físicos negativos e tem mais vitalidade e satisfação com a própria vida. Um número crescente de estudos indica também que o contato físico em especial tem efeitos positivos, levando a uma diminuição dos níveis de cortisol, por exemplo.

E quando os relacionamentos são ruins?

Não é qualquer tipo de intimidade que tem efeito positivo sobre a saúde, no entanto. Há indícios de que a interação social com hostilidade e negatividade está ligada a pressão sanguínea mais alta, sistema imunológico menos eficiente e mesmo velocidade menor para que uma ferida cicatrize.
No decorrer do tempo, o estresse pode aumentar os riscos à saúde — conflitos conjugais e familiares estiveram associados à sua piora e a problemas como doenças cardiovasculares, dor crônica e obesidade. Esse ponto sugere que é importante não só buscar bons relacionamentos, mas ficar atento e agir para mudar ou se livrar dos ruins.
Por exemplo: em um estudo, esposas cujo perfil é o de buscar tranquilização em seus parceiros, mas que têm maridos que preferem distância, apresentaram níveis especialmente altos de cortisol ao anteciparem uma discussão conflituosa. Segundo o trabalho, isso possivelmente ocorre “porque esses parceiros têm dificuldade em serem responsivos às necessidades uns dos outros”.

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Publicado originalmente aqui.

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